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domingo, 2 de maio de 2010

A Mulher e o Mercado de Trabalho

Ontem, 1º de Maio comemoramos o dia do trabalho. Foi um dia de comemorações e protestos em vários países e em todos os continentes. Frente a atual conjuntura sócio, política e econômica em que vivemos, fica uma dúvida: Como anda a situação da mulher no mercado de trabalho ?
Muitas organizações nacionais e internacionais, nas últimas décadas, tem promovido debates em torno de temas que visam à construção de uma sociedade mais justa, passando pelas relações de gênero. A promoção da igualdade de oportunidades e o equilíbrio neste sentido, visivelmente, está sendo tratada de forma especial quando o assunto é mercado de trabalho. Acredito que isso está contribuído para a elevação na taxa de atividade da população economicamente ativa, principalmente na América Latina e Caribe.
Sara Elder, do Departamento de Tendências de Emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT), disse nesta semana que "mais de uma década depois da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres, em Beijin, onde se propôs adotar uma plataforma ambiciosa para uma ação global para a igualdade de gênero e autonomia das mulheres, a discriminação entre homens e mulheres continua profundamente enraizada na sociedade e a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ainda está longe de ser uma realidade".
O que talvez traga alívio aos que defendem igualdade de oportunidades, entretanto, é que muitas instituições e empresas estão exercendo papéis socialmente responsáveis, apresentando balanços sociais, no qual igualdade de oportunidades conta pontos para certificações, além de contribuir para ampliação de mercados, aumento da produtividade e melhora na imagem institucional.
Falando em nível de instituição, vou pegar um caso próprio. Dentro do Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso - Fecomércio/Sesc e Senac-MT, por exemplo, segue-se rigorosamente uma política de cargos e salários, que é definido e aprovado pelos conselhos que o representa. Além disso estão estabelecidos no seu regime de orçamento financeiro os recursos para manter tal equilíbrio no enquadramento de funções. Com isso, há anos está garantindo-se a equidade de gênero, dando a quem é competente, independente de sexo, as reais oportunidades.
Por ter uma política preestabelecida dentro do Sistema, nota-se o quanto a mulher tem sido contemplada por suas habilidades. Só para exemplificar, no staff do Sesc, 50% da diretoria é formada por mulheres e no do Senac, 75%. Na Fecomércio os cargos de representação não remunerados, a exemplo de presidente, vice-presidentes, diretores setoriais, entre outros, a composição é maioria homens, ligados ao sindicalismo patronal do segmento. O quadro de gestores à frente da execução dos trabalhos e também de técnicos da área administrativa é 90% feminino. Nos serviços gerais, 1% é feminino. Tem apenas uma mulher em função de copeira, que divide a atividade com um garçom e na limpeza e segurança todos são homens.
Por ocasião do dia 8 de março deste ano, a OIT apresentou um diagnóstico interessante e altamente confiável em relação às estatísticas, referente às mulheres no mercado de trabalho, que teve como tema "Medir os progressos e identificar os desafios". No relatório é mostrado que a taxa de atividade da força de trabalho feminina aumentou de 50,2% para 51,7% entre 1980 e 2008. Neste estudo é revelado que a taxa de atividade da força de trabalho masculina caiu 7%, passando de 82% para 77%.
O escritório da OIT no Brasil é dirigido por uma mulher, Laís Abramo, e é dela o posicionamento a seguir: "A magnitude da presença de mulheres e negros no mercado de trabalho é acompanhada da persistente presença de déficits de trabalho decente em todos os aspectos. As mulheres - principalmente as mulheres negras - possuem rendimentos mais baixos que os dos homens e, ainda que em média tenham níveis de escolaridade mais elevados, seguem enfrentando o problema da segmentação ocupacional, que limita seu leque de possibilidades de emprego. As mulheres e os negros são mais presentes nas ocupações informais e precárias e as mulheres negras são a grande maioria no emprego doméstico, uma ocupação que possui importantes déficits no que se refere ao respeito aos direitos trabalhistas".
No último Dia Internacional das Mulheres, portanto, as organizações feministas falaram de lutas e conquistas. O êxito dos trabalhos no sentido de equacionar um problema mais que secular, entretanto, ainda deve percorrer um trajeto com muitas barreiras e isso passa, entre outros fatores, pela eliminação dos salários mais baixos que o dos homens, da ocupação em atividades precárias e pela falta de políticas públicas que dêem sustentabilidade para a mulher no mercado de trabalho, como por exemplo Centros de Educação Infantil ( creches ) e escolas de período integral para os filhos.
Fonte: Site :www.artigonal.com

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